Desempenho no Powerlifting Clássico

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Desempenho no Powerlifting Clássico

Professor Mestre Evaldo Júnior
Professor Doutor Belmiro Freitas de Salles

Resumo dos achados:

Num estudo de revisão sistemática, recentemente publicado, Ferland e Comtois (2019) investigaram os fatores que podem contribuir no desempenho de powerlifters da categoria raw/clássico (categoria que não permite a utilização de roupas especiais para aumento do desempenho).

Dezesseis estudos atenderam aos critérios de inclusão, e os principais achados foram que:

  • A técnica de agachamento barra baixa (low-bar squat) e a realização do supino com pegada aberta contribuíram para mobilização de maiores sobrecargas;
  • Deve-se ter atenção às lesões no esporte, já que aproximadamente 70% dos atletas parecem treinar lesionados;
  • Adicionalmente ao %1RM, outras possibilidades de controle da intensidade também podem ser usados, como a velocidade e as repetições de reserva;
  • Powerlifters tendem a realizar a estratégia de polimento (taper) primeiro no deadlift, depois no agachamento e por último no supino;
  • A utilização do slingshot (aparato elástico da imagens 2 e 3) no supino aumenta o desempenho, mas diminui a atividade do tríceps.

Análise Crítica do Treino Powerlifting

Ferland e Comtois (2019) afirmam que as informações do estudo podem servir como uma referência no campo do powerlifting. No entanto, algumas informações devem ser analisadas com cautela e criticidade.

Por exemplo, umas das recomendações foi o trabalho da musculatura respiratória. Essa orientação é baseada num estudo que comparou a função dos músculos ventilatórios e espessura do diafragma de powerlifters com indivíduos destreinados. Contudo, o estudo é agudo e os autores fazem inferências crônicas.

Outro item questionável é a recomendação da possibilidade de incluir treinos com execução de 1RM todos os dias. Essa recomendação é baseada num artigo realizado com 3 indivíduos (2 powerlifters e 1 weightlifter), que fizeram agachamento todos os dias durante 37 dias, 36 dos quais realizaram uma série de 1RM.

Mais um ponto que é passível de análise crítica é a observação de que realizar um tipo específico de periodização, chamada de ondulatória diária modificada (hipertrofia segunda, potência quarta e força sexta) pode ser melhor do que a que eles chamam de ondulatória tradicional (hipertrofia segunda, força quarta e potência sexta). No entanto, um “treino de hipertrofia”, ou seja, com maior volume de repetições, não é comumente realizado por powerlifters nos exercícios básicos (supino, agachamento e levantamento terra). Além disso, a frequência com que se treina cada exercício varia muito de atleta para atleta.

Não defendemos que não se possa treinar a musculatura respiratória ou que essas organizações de treino não devam ser realizadas por todos os atletas em todos os momentos, afirmamos apenas que essas orientações não devem servir como recomendações gerais por ausência de evidências robustas.

Referência

Belmiro Freitas de Salles

Belmiro Freitas de Salles

Pesquisador | Professor | Treinador

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